domingo, 14 de julho de 2013

O Cavaleiro Solitário – Nem só o índio é Tonto

O Cavaleiro Solitário
Título Original: Lone Range
Direção: Gore Verbinski
Roteiro: Justin Haythe, Ted Elliott,Terry Rossio
Elenco: Johnny Depp, Armie Hammer,Tom Wilkinson, William Fichtner, Ruth Wilson e Helena Bonham Carter
Ano: 2013
Duração: 149 min.

Sinopse: O advogado John Reid, após uma desastrada tentativa de impedir a fuga de um prisioneiro de um trem fica literalmente ligado – por meio de correntes – ao índio Tonto. John Reid coloca Tonto na cadeia e, a seguir, participa de uma patrulha comandada por seu irmão. Essa patrulha é vítima de uma emboscada sendo todos mortos menos John, que fica gravemente ferido. Ao ser salvo por Tonto, é convencido pelo índio a agir nas sombras, usando máscara, para perseguir o vilão.
Quem conhece o Cavaleiro Solitário vai estranhar algumas coisas. Em primeiro lugar, o Tonto é realmente “tonto”, bem diferente do antigo seriado e das HQs onde é um índio valente e inteligente. Não se podia esperar outra coisa já que o Tonto é interpretado por Johnny Depp. E, em segundo lugar John Reid é igualmente tonto, fazendo os dois uma dupla de atrapalhados.
O enredo se concentra na origem do herói e sua transformação de um advogado agarrado à letra da lei em um justiceiro mascarado e o ajuste da dupla, com vai em vem conflituoso de valores e de maneiras de agir, até os dois encontrarem um denominador comum.
O filme tem ares de iconoclasta, já que questiona o papel do exército no conflito indígena com um general que é a caricatura do General Custer, o falso moralismo dos evangélicos da época – numa cena invadem um prostíbulo apenas por que um “pagão” (Tonto) está lá dentro – e a ganância dos empresários ligados à ferrovia. Mas isso é “chutar cachorro morto”, já que isso vem sendo feito há décadas, desde Pequeno Grande Homem e Dança com os Lobos.
Há um apêndice meio fora de contexto. Tonto reclama o tempo todo que “a natureza está em desequilíbrio”, e às vezes isto ser mostrado de maneira bizarra, embora renda algumas piadas.
Aliás, o humor é tônica do filme. A visão de mundo ingênua de John leva-o a fazer atos realmente temerários. Tonto, por sua vez, apega-se aos costumes tribais da maneira que melhor lhe convém, contando com a ignorância do amigo nestes aspectos. Isso fica evidente quando são capturados por Comanches.
As cenas de ação são bem dirigidas e emocionantes, sobretudo a perseguição e luta nos trens no final, com uma cavalgada sui generis do Cavaleiro Solitário sincronizada com a música “A Cavalgada”, da ópera Guilherme Tell, num timming perfeito (esta música era usada como abertura do seriado dos anos 50).




Trailler

Curiosiodades Nerds
No Brasil nos anos 60 passou na TV um seriado chamado Zorro, que nada mais era do que O Cavaleiro Solitário. O nome Zorro foi escolhido porque Lone Range cuja tradução poderia ser “patrulheiro solitário” soava meio sem sentido. Eu também achei, porque o título de Cavaleiro Solitário não correspondia à verdade: ele não era tão solitário assim, pois tinha um companheiro. Porém isso tem a ver a natureza dos “rangers”: eles andavam sempre em grupo. O filme resgata isto.
Seriado dos anos 50-60

Não tiveram o mesmo cuidado como o nome Tonto, que tem conotação pejorativa em português. Por este motivo, nos países de língua hispânica, Tonto tem o nome de Toro. No filme, John Reid faz menção a este significado em uma das cenas.
O Besouro Verde é do mesmo criador de Cavaleiro Solitário (George W. Trendle). Há paralelos óbvios: ambos usam máscaras, tem um companheiro exótico, são justiceiros e... tem o mesmo sobrenome (a identidade secreta dele é Britt Reid).
Quando o seriado tradicional do Zorro estreou no Brasil, as chamadas anunciavam “o Zorro de Walt Disney” para diferenciá-lo do Cavaleiro Solitário.

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